Quando me perguntavam porque gostava dele, não sabia responder. Sorria, encolhia os ombros, e tentava... Tentava definir o porquê do que sentia, mas não conseguia. Conseguia definir um quadrado com facilidade, até um círculo ou uma árvore, mas como se define um sentimento? Nem sabia ao certo que nome lhe dar. Amor? Encanto? Ilusão? Paixão? Carinho?Mesmo após meses ainda não sabia. Sabia apenas que existia, o nome não importava. Talvez enumerar as suas qualidades ajudasse a definir. Mas não se gosta de outra pessoa apenas pelas qualidades que ela tem, ou as pessoas honestas, alegres, simpáticas, trabalhadoras, teriam uma fila de pretendentes à porta. O amor não obedece à razão nem à lógica. O amor acontece sem se querer. Ela nunca quisera aquele amor. Ele viera e instalara-se a seu belo prazer, sem pedir licença sequer. Tivesse ele pedido licença e teria ficado na rua. O amor acontece por empatia, por magnetismo, porque os planetas estão desalinhados. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que nos dá ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pelo olhar, pelo andar, pelo gargalhar. Ama-se pelo sorriso. Ama-se pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Ama-se por tudo e por nada. Ama-se porque se ama. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu + tu = nós, ou, se não fosse assim: eu - tu = esquecimento. Não funciona assim. Esse amor não nos consulta, não nos pede licença, não nos obedece. Não se define. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
By: uma garota apaixonada.




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